terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dezembro

Ando com mil e uma ideias, mas infelizmente sem tempo de redigi-las e postá-las, mas em breve, antes das férias volto a escrever.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Silêncio


O que me incomoda deveras é o silêncio… o silêncio que não se mede… o silêncio das bocas cansadas e das mentes vazias…

O que me incomoda é o não ter o que falar, o não ter argumento, a ausência de gosto em descobrir, a passividade de aceitar calado as mazelas da vida, as verdades e supostas verdades…

O que me incomoda é o não ter como falar, não ter sobre o que refletir, não ter o que defender, não ter a revolta, a contestação… pois sobra apenas a aceitação.

O que me incomoda é a língua cansada da eterna falta do que falar. É a ausência de si mesmo. Um grito de protesto… onde está o teu grito de protesto? Calou-se para sempre no silêncio obscuro de muitos que não têm o que falar, pela falta de saber o que é preciso falar.

Por: Edi Souza

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O temível Mauer


"Terrível! Esta fronteira de pedra ergue-se... ofende/ os que desejam ir para onde lhes aprouver/ não para um túmulo de massa/ um povo de pensadores."

Volker Braun, 1965

Uma terra dividida… a mesma pátria assolada pela segregação. A mesma nação como se fosse duas. O terrível Muro de Berlim foi construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, quando alemães despertaram sob o barulho de soldados colocando uma enorme cerca de arame e caminhões chegavam lotados de materiais como cimento e tijolos. Era a personificação da barreira física entre o os simpatizantes do regime socialista soviético e o mundo ocidental.

O muro tinha proporções gigantescas: dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para cães de guarda. Tal estrutura provocou a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas nas diversas tentativas de atravessar e ir ao encontro da sua própria liberdade. O Mauer, como os alemães o chamam, também era o símbolo máximo da Cortina de Ferro, além de ser uma vergonha mundial.

Após 28 anos de existência, no dia 9 de novembro de 1989, há exatos 20 anos, o muro começava a cair, sob olhares voltados para a liberdade, para uma vida mais digna. As pessoas do leste puderam ver a dignidade existente no lado ocidental e perceber os anos de atraso no desenvolvimento do seu lado da Alemanha. Mas, acima de tudo isso, puderam vislumbrar uma vida diferente, puderam sem a presença do Mauer enxergar o horizonte.

A liberdade é a principal forma de construção de uma nação de verdade. A imposição do poder gera conflitos e descontentamentos, é preciso se ter condições de vida, é preciso ter o poder de decisão. Apesar de modelos falhos no ocidente dominado pelo capitalismo, ainda há que se acreditar que é a melhor maneira de construirmos um mundo melhor.

São 20 anos sem a presença da vergonha mundial chamada Muro de Berlim. Que todos os muros, todas as divisões possam ser quebradas marteladas a marteladas… no mundo toldado pela democracia que fazemos parte é necessário que outras barreiras tão sólidas quanto o Mauer sejam derrubadas também: as diferenças, o preconceito, a discriminação… vivamos sem muros… principalmente sem os muros internos que não deixam que vejamos o horizonte.

Por: Edi Souza

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Mulheres de 60 ou mais"


Hoje me peguei pensando sobre a condição e aspectos apresentados pelas mulheres consideradas na terceira idade… de acordo com a Wikipedia “A terceira idade é uma etapa da vida de um indivíduo. A época em que uma pessoa é considerada na fase da terceira idade varia conforme a cultura e desenvolvimento da sociedade em que vive. Em países classificados como em desenvolvimento, por exemplo, alguém é considerado de terceira idade a partir dos 60 anos”. Conheço muitas pessoas de 60 anos e outras tantas que estão chegando neste patamar… e acredito que este mundo mudou e os conceitos devem ser revistos.

Olhe esta lista abaixo e veja se não tenho razão:

Betty Faria, Arlete Salles, Fernanda Montenegro, Susana Vieira, Yoná Magalhães, Goldie Hawn, Olivia Newton-John, Faye Dunaway, Cher, Raquel Welch, dentre inúmeras outras personalidades e muitas mulheres cotidiano, estas que esbarramos dia após dia nas ruas das cidades.

O que estas mulheres têm em comum? A idade. Todas já passaram dos 60. Se todas vivessem no Brasil estariam na famosa terceira idade. Hoje, há muitos outros recursos, técnicas medicinais, exercícios físicos e parece que estas mulheres descobriram a fonte da juventude. Mas na verdade, os tempos mudaram… as mulheres estão mais voltadas para si, pensam em sua aparência, procuram se cuidar e chegam em idades acima da famosa marca de 60 com aspecto e aparência muito melhores que as antigas moças de 30, há longínquos anos. Mais pontos para a tecnologia, para o avanço feminino, para as conquistas e libertação das mulheres, para as suas batalhas e desbravamentos em universos antes apenas idealizados.

Por: Edi Souza

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A solidariedade e recuperação da dignidade


O cenário é conhecido por pelas pessoas em diferentes cidades brasileiras: jovens sofrendo e travando uma luta constante para se livrar do vício das drogas. Infelizmente, dia após dia, aumenta o consumo destas substâncias entre os jovens e, consequentemente, o sofrimento das famílias destes dependentes químicos é acentuado.

Todas as famílias que possuem um usuário de drogas sob o teto conhecem as dificuldades, as angústias e os problemas frequentes em razão deste mal social. Daí a importância da existência das Casas de Recuperação, como forma de fornecer o atendimento adequado a todas as pessoas que buscam um alento para o seu sofrimento, aqueles que tentam sair do vício e buscar novos caminhos, recuperar a sua dignidade e autoestima.

Em Paranaguá, há muitas instituições que tentam sobreviver em meio às dificuldades financeiras e servir como ponto de apoio aos jovens e suas famílias, mas a cada dia se torna mais difícil a atuação nesta área, pois muitas não contam com quase nenhum apoio financeiro e, desta forma, se veem com as mãos amarradas e sem os recursos necessários para servir de combate ao avanço indiscriminado das drogas no meio social.

Assim, faz-se necessário que a comunidade num todo, independente de ter ou não usuários em seu meio familiar, se volte para esta causa, se alie e ajude a todos. Portanto é importante cada um fazer a sua parte e tentar ajudar o próximo, assim ajudando a sociedade a ter qualidade de vida.

Por: Edi Souza

sábado, 24 de outubro de 2009

Primeira competição?


Foto: Aluizio Freire/G1

E parece que as olimpíadas no Rio de Janeiro já começaram. E a primeira modalidade em estudo para se tornar olímpica é tiro ao alvo. A violência no Rio ganhou as páginas de jornais mundo afora. Mais uma vez o país está na berlinda em virtude de fatores negativos e um jornal londrino já levantou a dúvida se o país está mesmo preparado para receber os jogos olímpicos.

Não está e nunca esteve. Um dia quem sabe poderá estar… cidadãos inocentes vivem rodeados pelo medo de um novo confronto polícia X traficantes, o tráfico comanda os morros cariocas, o subúrbio, e se instala no poder. Hoje, o tráfico é um poder paralelo, pois controla a vida de inúmeras pessoas.

Se as modalidades olímpicas fossem mudadas, teríamos muitas medalhas de ouro para o Brasil. Quem sabe tiro ao alvo humano? Quanto vale uma vida neste país? Parece que nada, pois vemos ações políticas voltadas à promoção pessoal e eleitoreira, vemos uma comunidade de acomodados e nada é feito para mudar verdadeiramente e oferecer condições dignas para a sociedade como um todo.

Mas o que importa a situação da segurança no Rio de Janeiro? O que importa se há desigualdades? O que importa todos os fatores negativos em destaque pelos diferentes cantos do país? Isso nada importa, pois estamos na iminência de realizar os dois mais belos e importantes eventos esportivos: a copa do mundo e as olimpíadas… a festa é importante e brasileiro sabe festar, se divertir, ter alegria… isso se o mundo não acabar em 2012…


Por: Edi Souza

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

“Só a literatura salva”


“- Tomara que acorde em tormentos! - bradou ele com pavorosa veemência, batendo com o pé no chão e arquejando num paroxismo de insensato furor. - Então ela mentiu até ao fim! Onde estará? Não há de estar lá, no céu... nem se acabou... onde estará? Ah, disseste que não te importavas com o que eu sofresse... Pois faço uma oração... hei de repeti-la até que minha língua se paralise... Catherine Earnshaw, praza a Deus que não tenha descanso enquanto eu viver! Disseste que eu te matei... pois persegue-me agora com o teu fantasma!... Sei que a vítima persegue o seu assassino. E sei que andam almas penadas pela terra... Fica comigo para sempre... toma qualquer forma... enlouquece-me! Mas não me deixes neste abismo onde não te possa encontrar! Oh, Senhor! É inexprimível! Não posso viver sem a minha vida! Não posso viver sem a minha alma!"

WUTHERING HEIGHTS, O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë

Como diria uma pessoa especial, alguém intelectualmente interessante, “só a literatura salva” e eu completaria com a afirmação que: por meio da literatura podemos encontrar grandes respostas. Ela tem a faculdade intrínseca de desanuviar, dar luz ao conhecimento, elucidar questões insondáveis, trazer inúmeras respostas a dúvidas, mas também tem o poder de trazer mais e mais perguntas, argumentações, indagações da realidade, do visto e não visto, do dito e não dito, do real e irreal, do concreto e do imaginário… nas páginas dos livros é possível encontrar a nós mesmos e identificar emoções, sentimentos… o principal deles é o amor. Para se conhecer o amor, identificar a força deste sentimento supremo é preciso sentir, amar, mas a literatura nos dá mostras de todos os preâmbulos de Eros, pois belas e intensas histórias de amor estão imortalizadas nos escritos de Shakespeare, Camões, Machado de Assis, Emily Brontë… são muitos exemplos, mas hoje vamos nos ater a força da literatura feminina.

Emily Brontë foi uma escritora britânica, a qual viveu isolada da sociedade, distanciada das mazelas sociais, no entanto, deu ao mundo um presente: o livro O Morro dos Ventos Uivantes. Trata-se de uma narrativa brilhante em que se observa toda a dimensão do amor. Um amor que atravessa o tempo, a vida e a morte… um amor verdadeiro. A força deste amor é facilmente percebida no trecho supracitado, momento em que Heathcliff pronuncia a grandeza de seu sentimento, algo maior que ele e verbaliza de maneira veemente o que seria o mundo para ele sem a presença de Catherine Earnshaw, a sua amada.

Os seres humanos, quando amam de verdade e de repente se veem sem a presença da pessoa amada, são tomados pelo sofrimento, pela dor… a falta de perspectiva de norte, de direção, de alento. De uma hora para outra o mundo se transforma em algo sombrio, vazio, um abismo sem fim…

“Só a literatura salva”.

Por: Edi Souza